Mitos e Verdades

Todos os pais têm dúvidas e se preocupam em saber se estão ou não fazendo tudo corretamente na criação de seus filhos.  Para a maior parte das decisões, estes pais confiam em sua própria intuição, no senso comum ou ainda em conselhos de amigos e familiares. Entretanto, com relação ao aprendizado de idiomas, os pais têm várias perguntas e muitas dúvidas. Muitas vezes essa sabedoria popular não tem qualquer base científica. Na verdade, este é um bom exemplo do que é chamado de “mito” sobre o aprendizado de línguas. Muitos desses mitos são repetidos tantas vezes que algumas pessoas acabam por acreditar neles.

Contudo, os progressos recentes nas pesquisas em linguística, psicologia e educação proporcionaram uma nova visão quanto ao aprendizado da língua pelas crianças, bem como da possibilidade de aprenderem um segundo idioma de maneira eficiente e eficaz. Assim, esclareceremos cientificamente, alguns desses mitos sobre o aprendizado de uma outra língua na infância.

1 – SOMENTE PAIS BILÍNGUES PODEM CRIAR FILHOS BILÍNGUES. (MITO)
Com o embasamento correto, qualquer pai/mãe pode criar um filho que conheça mais de uma língua, até mesmo se esse pai/mãe for monolíngue.  Atualmente existem milhares de oportunidades para as crianças aprenderem um segundo idioma.  O bilinguismo é cada vez mais encarado como um diferencial importantíssimo.  Como resultado disso, há cada vez mais recursos, desde aulas de idiomas até brinquedos bilíngues.  Contudo, é preciso saber escolher os mais adequados e eficazes.

2 – A EXPOSIÇÃO DE DUAS LÍNGUAS A UMA CRIANÇA FARÁ COM QUE A FALA SEJA DESENVOLVIDA TARDIAMENTE. (MITO)
Não há qualquer evidência científica que demonstre que a exposição a 2, 3 ou mais idiomas acarrete atrasos ou problemas na aquisição da linguagem.  Tanto as crianças monolíngues como as bilíngues começam a balbuciar, falar suas primeiras palavras ou as primeiras frases mais ou menos ao mesmo tempo. Portanto, os pais podem eliminar essa preocupação da sua lista: O aprendizado de duas línguas NÃO é a causa de atraso na fala.

3 – A MISTURA DE IDIOMAS É UM SINAL DE CONFUSÃO E AS LÍNGUAS DEVEM SER FALADAS SEPARADAMENTE. (MITO)
Muitos pais têm expressado a apreensão de que seus filhos fiquem confusos com o uso de duas línguas.  A principal preocupação é de que a criança não se conscientize do sistema de duas línguas diferentes ou não seja capaz de compreender que duas palavras diferentes referem-se à mesma coisa ou conceito.  Essa “mesclagem” de palavras é normal, quase que universalmente, durante o desenvolvimento da língua entre crianças bilíngues e o resultado é bem evidente: TODAS as crianças superam essa fase. Mesmo que indesejável, geralmente é breve, terminando muito antes que a criança entre na idade escolar e, de qualquer forma, não é, de maneira alguma, problemática para o seu futuro.

4 – APRENDER UM SEGUNDO IDIOMA DEIXA AS CRIANÇAS MAIS INTELIGENTES. (VERDADE) 
Por falarem mais de uma língua, as crianças ficam mais perspicazes, atentas e habilidosas. Falar duas línguas coloca a criança em uma condição que favorece o seu desenvolvimento, ao passo em que desperta a sua atenção e funciona como estímulo para que realizem tarefas de forma mais assertiva. Elas também estabelecem mais conexões cerebrais, inclusive em áreas diferentes da linguagem, como o raciocínio lógico-matemático, por exemplo, e têm sua capacidade cognitiva bastante ampliada. Estudos também mostram que o Bilinguismo pode proteger o cérebro de demência e outras doenças envolvendo a memória. Isto porque o cérebro que permanece intelectualmente ativo desenvolve maior número de sinapses, o que o habilita a compreender determinadas situações e trabalhar em suas soluções com habilidade e rapidez.

5 – QUANTO MAIS CEDO APRENDER INGLÊS, MENOS SOTAQUE A CRIANÇA TERÁ. (VERDADE)
Isto é um fato, porque nosso aparelho fonador (boca e língua) ainda está em formação e, por isso é mais maleável e capaz de reproduzir qualquer som. Conforme o tempo passa, esta capacidade se perde, pois quando chegamos à idade adulta, perdemos a capacidade de distinguir certos sons que não fazem parte da nossa língua materna.

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